Setor opera sob regulação federal e exerce papel pouco visível, mas relevante, na prevenção de riscos em ambientes públicos e privados.
O especialista em segurança institucional e proteção de autoridades, Ernesto Kenji Igarashi, apresenta que a presença de profissionais de segurança privada em hospitais, centros comerciais, eventos e condomínios tornou-se parte do cotidiano urbano, mas a dimensão institucional dessa atividade ainda é pouco compreendida pelo público. Embora não substitua o papel do Estado, o setor atua como uma camada complementar de proteção, especialmente na prevenção de incidentes e no controle de riscos em ambientes de grande circulação. Compreender essa engrenagem é fundamental para discutir políticas de segurança de forma mais realista.
No Brasil, a segurança privada é uma atividade regulada, autorizada e fiscalizada em nível federal, o que a diferencia de iniciativas informais ou improvisadas. Ainda assim, seu funcionamento costuma ser percebido apenas quando ocorre alguma falha, e não como parte contínua da estrutura de proteção social.
Um papel definido pela legislação e pela fiscalização
A atuação das empresas e dos profissionais de segurança privada é condicionada a autorizações específicas, formação obrigatória e supervisão por órgãos federais. Esse arcabouço estabelece limites claros de atuação e reforça que a atividade não tem caráter policial, mas preventivo e patrimonial.
Segundo Ernesto Kenji Igarashi, essa distinção é central para entender o papel do setor, isso porque, a segurança privada não substitui a segurança pública, mas contribui para reduzir vulnerabilidades em ambientes específicos, atuando antes que situações se agravem.
Essa lógica de complementaridade é especialmente relevante em locais com alta concentração de pessoas, nos quais medidas de controle de acesso, monitoramento e resposta inicial podem evitar que incidentes se tornem ocorrências de maior gravidade.
Prevenção como função central e pouco reconhecida
Diferentemente da segurança pública, que muitas vezes é avaliada por indicadores de criminalidade, a eficácia da segurança privada está ligada à ausência de ocorrências, o que dificulta a percepção de seu impacto. Processos como identificação de comportamentos de risco, intervenção precoce e organização de fluxos raramente ganham visibilidade.

Essa característica contribui para uma subvalorização do setor, visto que, quando o trabalho é bem feito, nada acontece. Isso cria a impressão de que a presença da segurança é dispensável, quando, na prática, ela está evitando problemas.
Essa atuação preventiva também reduz a pressão sobre os serviços públicos, ao conter situações que poderiam demandar mobilização policial ou de emergência, informa o especialista em segurança institucional, Ernesto Kenji Igarashi.
Crescimento do setor e novas exigências sociais
A expansão de eventos, a verticalização das cidades e o aumento de ambientes privados de uso coletivo ampliaram a demanda por serviços de segurança, evidencia Ernesto Kenji Igarashi. Ao mesmo tempo, cresce a expectativa por padrões mais elevados de qualificação, conduta e transparência.
A profissionalização do setor, portanto, é uma resposta direta a essa pressão social. Isso pois, atualmente não se discute apenas presença física, mas protocolos, treinamento, uso responsável de tecnologia e integração com autoridades quando necessário. Essa evolução também se reflete em contratos mais exigentes, auditorias de processos e maior atenção à conformidade legal, especialmente em operações de maior visibilidade.
Integração com políticas públicas e gestão de riscos
A relação entre segurança privada e políticas públicas ocorre principalmente por meio de regras, fiscalização e, em determinados contextos, cooperação operacional. Em grandes eventos ou situações de emergência, a comunicação entre equipes privadas e órgãos públicos torna-se um fator crítico.
Tal como considera o especialista em segurança institucional, Ernesto Kenji Igarashi, fortalecer essa integração é um dos caminhos para ampliar a eficácia do sistema como um todo. Quando há protocolos claros de comunicação e atuação conjunta, a resposta é mais rápida e coordenada, reduzindo impactos para a população.
Ao reconhecer a segurança privada como parte de um ecossistema mais amplo de proteção, a discussão sobre segurança deixa de ser restrita ao aparato estatal e passa a incluir mecanismos de governança, padronização e responsabilidade compartilhada. Nesse cenário, a atuação profissional e regulada do setor se consolida como um componente essencial, ainda que pouco visível, da proteção cotidiana da sociedade.
Autor: Kyron Kleftalis
