Decorar um ambiente vai muito além de escolher móveis e cores que estejam em tendência. Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, defende que os espaços mais memoráveis são aqueles que carregam a história de quem os habita, com camadas de significado que nenhum catálogo de decoração consegue reproduzir.
Este artigo explora o conceito de design afetivo, como ele se diferencia da decoração convencional, de que forma objetos e memórias podem ser incorporados a projetos de interiores com equilíbrio estético e emocional, e por que esse olhar humanizado está se tornando uma das abordagens mais valorizadas no mercado de design contemporâneo.
Leia até o fim para saber mais!
O que é design afetivo e como ele se diferencia da decoração convencional?
O design afetivo parte de uma premissa simples e poderosa: os espaços que habitamos devem refletir quem somos, não apenas seguir o que está na moda. Enquanto a decoração convencional frequentemente prioriza a coerência estética e as tendências do momento, o design afetivo coloca a narrativa pessoal do morador no centro das decisões de projeto, tratando cada objeto, cor ou textura como uma extensão da identidade de quem vive ali.
Daugliesi Giacomasi Souza observa que essa abordagem não significa ignorar a estética ou abrir mão de um resultado visualmente harmonioso. Ao contrário, o desafio do design afetivo está exatamente em integrar o significado pessoal à linguagem visual do espaço de forma que o resultado seja simultaneamente belo e verdadeiro. É a diferença entre um ambiente que impressiona e um ambiente que toca.
Como objetos com história podem ser integrados a um projeto de interiores?
Peças herdadas, viagens registradas em objetos trazidos de outros países, presentes com valor sentimental ou itens que marcaram fases importantes da vida são elementos que carregam uma carga emocional que nenhuma loja consegue vender. O desafio, dentro de um projeto de design, é encontrar a forma certa de incorporá-los sem que o ambiente pareça uma acumulação sem critério.

Conforme alude Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, a curadoria é a chave desse processo. Nem tudo que tem valor sentimental precisa estar em exposição permanente. Selecionar os itens mais representativos, posicioná-los em um destaque intencional e criar composições que dialoguem com os demais elementos do ambiente é o que transforma uma lembrança em parte viva da decoração.
De que forma a memória afetiva influencia a percepção dos espaços?
A neurociência já demonstrou que ambientes associados a memórias positivas provocam respostas emocionais que vão além da experiência estética. Cheiros, texturas, materiais e até padrões de luz podem evocar sensações profundas ligadas à infância, à família ou a momentos de alegria vividos em outros contextos. Quando um projeto de interiores é capaz de acionar essas memórias intencionalmente, cria um laço emocional com o morador que vai muito além do visual.
Daugliesi Giacomasi Souza ressalta que esse efeito pode ser criado tanto por meio de objetos com história quanto por escolhas de materiais e acabamentos que evoquem referências culturais ou afetivas do cliente. Madeira envelhecida, azulejos artesanais, tecidos com texturas naturais ou paletas inspiradas em paisagens significativas são recursos que o design afetivo utiliza para criar ambiências com profundidade emocional.
Por que o design afetivo está se tornando uma tendência relevante no mercado?
Em um cenário em que a oferta de móveis e objetos de decoração é massiva e muitas vezes indiferenciada, cresce a valorização de ambientes que expressam singularidade. Consumidores mais conscientes buscam espaços que não sejam uma réplica do que viram nas redes sociais, mas que reflitam algo genuíno sobre sua própria trajetória e seus valores.
Daugliesi Giacomasi Souza acredita que o design afetivo responde a uma necessidade real e crescente de pertencimento e autenticidade dentro do ambiente doméstico. Em um mundo cada vez mais acelerado e padronizado, a casa que conta uma história torna-se um espaço de ancoragem emocional. Em síntese, projetar com afeto não é um luxo: é reconhecer que o ambiente onde vivemos tem o poder de nos lembrar, todos os dias, de quem somos.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
