Equipamento foi entregue pessoalmente pela ministra Luciana Santos durante cerimônia em Florianópolis e poderá ser usado por todos os campi da universidade.
A Universidade Federal de Santa Catarina recebeu na última quarta-feira, 17 de junho, um equipamento que deve impulsionar significativamente a capacidade de pesquisa em inteligência artificial da instituição. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação doou à UFSC um supercomputador HLS-GAUDI 2 Deep Learning Server, entregue pessoalmente pela ministra Luciana Santos durante cerimônia realizada no Centro de Inovação, Pesquisa, Empreendedorismo e Tecnologia da universidade, o InPETUhub, localizado no Sapiens Parque, em Canasvieiras. UFSC
O equipamento chega em um momento de forte expansão do uso de inteligência artificial dentro do ambiente acadêmico brasileiro, tanto na pesquisa científica quanto na gestão das próprias instituições. Para entender o impacto real dessa doação, é preciso olhar não apenas para a tecnologia em si, mas para o contexto de investimentos federais em ciência que cercam o anúncio, além das possibilidades concretas de uso do supercomputador dentro da universidade.
A seguir, veja como funciona o equipamento doado, quem poderá utilizá-lo dentro da UFSC e qual é o cenário mais amplo de investimento em ciência e tecnologia que envolve essa entrega.
Para que servirá o supercomputador na UFSC
O equipamento doado tem aplicação direta em projetos que exigem alto poder de processamento de dados, área considerada estratégica para o avanço da pesquisa científica nos próximos anos. Segundo a universidade, o supercomputador será vital para o desenvolvimento de pesquisas envolvendo inteligência artificial e aplicações que demandam grande capacidade de processamento, como a análise de imagens de telemedicina. Esse tipo de aplicação tem ganhado espaço crescente em hospitais universitários e centros de pesquisa em saúde, já que permite agilizar diagnósticos e ampliar o alcance de exames de imagem em regiões com menor acesso a especialistas. UFSC
Outro ponto importante é a abrangência do uso dentro da instituição. De acordo com o reitor eleito, Amir Martins, o equipamento ficará instalado na Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da Informação e Comunicação, mas poderá ser utilizado por todas as unidades da UFSC, incluindo os diferentes campi da universidade. Essa descentralização é relevante porque amplia o alcance do investimento, permitindo que pesquisadores de áreas distintas, da engenharia à medicina, tenham acesso à mesma infraestrutura de alto desempenho. UFSC
A cerimônia de entrega reuniu autoridades do ecossistema de ciência e tecnologia de Santa Catarina. Estiveram presentes o reitor da Universidade do Estado de Santa Catarina, José Fernando Fragalli, a secretária de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social, Germana Pires, o pró-reitor de Pesquisa e Inovação da UFSC, Werner Kraus Júnior, além de representantes da Finep e da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina. A presença de diferentes setores no evento reforça o caráter estratégico que o governo federal tem dado à articulação entre universidades, indústria e agências de fomento. UFSC
O contexto dos investimentos federais em ciência e tecnologia
Durante a cerimônia, a ministra Luciana Santos aproveitou para detalhar o cenário mais amplo de investimentos do governo federal na área. Ela destacou os esforços para restabelecer os mecanismos de apoio à ciência brasileira, citando a recriação da Secretaria de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social e a recomposição orçamentária do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Segundo a ministra, o Brasil tem potencial expressivo para o desenvolvimento científico, mas ainda enfrenta desafios estruturais importantes na área. UFSC
Os números apresentados por ela durante o evento dão uma ideia do volume desses investimentos. Luciana Santos afirmou que os investimentos em ciência e tecnologia do governo federal alcançam cerca de R$ 50 bilhões, praticamente o dobro do valor investido na gestão anterior. Para a ministra, essa previsibilidade orçamentária é fundamental para atrair também o setor privado para projetos de pesquisa e desenvolvimento. UFSC
Especificamente sobre Santa Catarina, o cenário também foi destacado durante a visita. A ministra informou que o estado é o quarto que mais recebe recursos da Finep no país e o terceiro em número de projetos aprovados, com investimentos que somam R$ 5,6 bilhões dentro desse novo ciclo de aportes federais em ciência e tecnologia. Ainda segundo o anúncio feito durante a cerimônia, a própria UFSC já recebeu cerca de R$ 80 milhões do MCTI, distribuídos em dezessete projetos diferentes, além do supercomputador entregue nesta semana. UFSCUFSC
O avanço da inteligência artificial dentro das universidades brasileiras
A chegada do supercomputador à UFSC acompanha uma tendência mais ampla de adoção de inteligência artificial dentro das instituições de ensino superior do país. Levantamentos recentes mostram que o uso dessas ferramentas já deixou de ser restrito a estudantes e professores e passou a fazer parte também da gestão acadêmica e administrativa das universidades, impulsionando uma nova fase da transformação digital no setor educacional.
Esse movimento, no entanto, ainda enfrenta desafios regulatórios. Conselhos e instituições de ensino têm discutido diretrizes específicas para o uso responsável da inteligência artificial dentro do ambiente acadêmico, especialmente em trabalhos de conclusão de curso e produções científicas, áreas em que a fronteira entre apoio tecnológico e uso indevido ainda gera debate entre coordenadores de curso e orientadores. Paralelamente, dados de pesquisas recentes indicam que a maior parte dos estudantes universitários brasileiros já incorporou ferramentas de inteligência artificial generativa na rotina de estudos, principalmente para compreender conceitos complexos e organizar pesquisas para trabalhos acadêmicos.
Nesse cenário, investimentos em infraestrutura computacional como o supercomputador doado à UFSC tendem a ganhar peso estratégico nos próximos anos, já que ampliam a capacidade das universidades públicas de desenvolver suas próprias soluções em inteligência artificial, em vez de depender exclusivamente de tecnologias e plataformas estrangeiras. Para a comunidade acadêmica catarinense, o equipamento representa não apenas um reforço técnico imediato, mas também um símbolo da retomada de investimentos federais em ciência depois de um período de cortes orçamentários no setor.
Fonte consultada: noticias.ufsc.br
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
