Um edital publicado pelo Ministério das Comunicações prevê a contratação de serviços de conectividade para 1.832 Unidades Básicas de Saúde (UBS) distribuídas por mais de 800 municípios de 26 estados. A iniciativa será financiada com aproximadamente R$ 50 milhões do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) e inclui conexão por fibra óptica ou satélite, além da instalação de infraestrutura de Wi-Fi nas unidades.
Segundo o Ministério das Comunicações, o edital estabelece prioridade para UBS que ainda não possuem acesso à internet. A velocidade mínima prevista é de 300 Mbps, com contratos de dois anos. O prazo para apresentação das propostas das empresas interessadas terminou em 9 de setembro de 2026, e os próximos passos envolvem a contratação e a implementação dos serviços.
Como funcionará a conexão nas UBS
A proposta combina duas alternativas tecnológicas para atender unidades localizadas em diferentes regiões do país. Onde houver infraestrutura disponível, a conexão poderá ser fornecida por fibra óptica. Em áreas com limitações de rede terrestre, o edital também prevê o uso de internet via satélite, solução que pode ampliar o alcance do programa em municípios mais distantes dos grandes centros.
Além do acesso à internet, está prevista a instalação de uma estrutura de Wi-Fi nas unidades contempladas. O objetivo é oferecer condições técnicas para o funcionamento de sistemas eletrônicos de atendimento e gestão, serviços digitais de saúde, telessaúde e telemedicina. A presença do Wi-Fi, no entanto, não significa necessariamente a criação de uma rede pública aberta aos usuários: o foco do edital é a conectividade e a infraestrutura de funcionamento das UBS.
Na prática, uma conexão estável pode facilitar o acesso a prontuários e plataformas administrativas, apoiar a transmissão de informações e dar suporte a atendimentos remotos. Os efeitos tendem a ser especialmente relevantes em localidades onde a banda larga fixa é limitada ou onde a distância dos centros urbanos dificulta a oferta de serviços especializados.
Recursos do Fust financiam expansão da conectividade
O financiamento será realizado com recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações, mecanismo voltado à ampliação do acesso a serviços de telecomunicações no país. A página institucional do Fust registra a iniciativa e também indica a publicação de um novo edital relacionado ao atendimento de UBS que não haviam sido contempladas anteriormente.
Esse registro aponta para a continuidade de uma política de expansão da conectividade em serviços públicos. O programa não se limita, portanto, a uma contratação isolada: a previsão de novos editais sugere a tentativa de ampliar gradualmente o número de unidades atendidas, conforme os critérios e recursos definidos pelo Ministério das Comunicações.
O Relatório de Gestão 2025 do Ministério das Comunicações informa que 859 unidades básicas de saúde foram conectadas no ano passado. O dado oferece contexto para o novo edital e mostra que a conectividade de equipamentos públicos de saúde já vinha sendo incluída entre as ações de expansão da infraestrutura digital.
O que acompanhar após o fim do prazo
Com o encerramento do prazo para envio das propostas, a atenção passa para as etapas de seleção, contratação e instalação dos serviços. Também será necessário acompanhar quais unidades serão efetivamente conectadas por fibra óptica e quais utilizarão satélite, além do cronograma de implantação nos mais de 800 municípios indicados no projeto.
Outro ponto importante será verificar como as conexões serão incorporadas à rotina de cada unidade. A velocidade mínima de 300 Mbps estabelece uma referência para o serviço contratado, mas os resultados dependerão também da instalação adequada dos equipamentos, da disponibilidade de suporte técnico e da integração com os sistemas utilizados pela rede pública de saúde.
A expansão da internet nas Unidades Básicas de Saúde pode contribuir para reduzir barreiras de acesso a serviços digitais em diferentes regiões brasileiras. Ao conectar unidades que ainda não contam com internet, o programa busca criar condições para que ferramentas de gestão, atendimento eletrônico e telessaúde estejam disponíveis também fora dos principais centros urbanos. A implementação, contudo, será o principal indicador para medir o alcance efetivo da política.
