Universidades federais poderão desenvolver projetos voltados à integração entre saberes tradicionais, escolas públicas e comunidades por meio do edital Ciclos de Saberes de Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais e Populares e das Artes. A chamada foi apresentada pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Ministério da Cultura (MinC) em 22 de setembro de 2026 e prevê investimento total de R$ 5 milhões.
A iniciativa reconhece mestras e mestres das culturas tradicionais e populares como agentes de formação e sujeitos de conhecimento. A proposta é ampliar a presença desses saberes no ambiente acadêmico, articulando atividades de ensino, pesquisa e extensão com ações realizadas em escolas públicas e nos territórios das comunidades participantes.
Como funciona o edital para universidades federais
O edital é destinado a projetos de Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) que apresentem ações conjuntas com mestres da cultura e secretarias de Educação ou escolas públicas de educação básica. Para serem habilitadas, as propostas precisam demonstrar a participação desses diferentes segmentos na construção e na execução das atividades.
A chamada está organizada em duas categorias de apoio. Na modalidade de grande porte, poderão ser selecionados até sete projetos, com orçamento de até R$ 500 mil para cada iniciativa. As propostas deverão envolver pelo menos dez mestres, alcançar no mínimo três municípios e promover atividades em ao menos cinco escolas públicas.
Já a categoria local poderá contemplar até seis projetos, com financiamento de até R$ 250 mil por proposta. Nesse caso, será necessária a participação de pelo menos cinco mestres e a realização de ações em ao menos uma escola pública. A divisão permite apoiar tanto iniciativas de maior abrangência territorial quanto projetos concentrados em uma comunidade ou região.
Recursos devem incluir pagamento a mestres
Uma das regras do edital estabelece que pelo menos 40% dos recursos de cada projeto sejam destinados ao pagamento das mestras e dos mestres participantes. A previsão coloca a remuneração dos detentores dos conhecimentos no centro da política de apoio e reconhece sua contribuição para as atividades formativas, culturais e de pesquisa.
Os projetos também deverão integrar as três dimensões da atuação universitária: ensino, pesquisa e extensão. Com isso, a chamada busca estimular propostas que não se limitem a eventos pontuais, mas criem formas de cooperação entre estudantes, pesquisadores, escolas públicas e comunidades tradicionais.
De acordo com a Ministério da Cultura, a iniciativa foi apresentada conjuntamente pelo MEC e pelo MinC. A articulação entre as duas pastas relaciona a política de educação superior à valorização das culturas tradicionais e populares e das artes.
Inscrições e distribuição regional
As inscrições começaram em 29 de setembro de 2026 e, conforme as informações divulgadas pela Agência Brasil, poderão ser feitas até 4 de outubro de 2026. Universidades interessadas devem observar as exigências de participação, abrangência territorial, número de mestres envolvidos e presença das escolas públicas.
A seleção também prevê distribuição regional. Está reservada uma proposta por macrorregião brasileira, desde que ela alcance a pontuação mínima estabelecida no processo seletivo. O critério amplia a possibilidade de participação de instituições de diferentes partes do país e reforça o caráter nacional da chamada.
Para as universidades federais, o edital representa uma oportunidade de aproximar a formação acadêmica de conhecimentos produzidos e preservados por comunidades tradicionais. Para escolas e estudantes, os projetos podem criar experiências de aprendizagem conectadas à cultura e aos territórios. O resultado esperado é uma cooperação que valorize esses conhecimentos sem retirar das mestras e dos mestres o papel de protagonistas na transmissão de seus saberes.
