Existe uma lacuna persistente entre o que as organizações dizem sobre segurança e o que realmente praticam no cotidiano. Ernesto Kenji Igarashi, especialista em segurança institucional e proteção de autoridades, identificou ao longo de sua trajetória que essa lacuna raramente tem origem em falta de tecnologia ou de orçamento. Ela nasce de uma cultura organizacional que ainda não incorporou segurança como valor, tratando-a como obrigação burocrática ou como responsabilidade exclusiva de um departamento específico.
Cultura organizacional de segurança é o conjunto de crenças, comportamentos e práticas que determina como as pessoas dentro de uma organização percebem e respondem a riscos no dia a dia. Quando essa cultura é forte, a segurança funciona mesmo na ausência de supervisão direta. Quando é fraca, nenhum sistema tecnológico consegue compensar o comportamento humano que abre brechas continuamente.
Limites da tecnologia diante da cultura de segurança organizacional
Câmeras, sensores, softwares de monitoramento e sistemas de controle de acesso são ferramentas. Ferramentas dependem de pessoas para serem eficientes. E pessoas dependem de cultura para usá-las corretamente, de forma consistente, mesmo quando não há supervisão direta.
Em muitas organizações, mesmo com infraestrutura de segurança robusta, falhas operacionais persistem quando a mentalidade dos profissionais não acompanha a complexidade dos sistemas disponíveis, resultando em práticas como monitoramento negligenciado, liberações de acesso por conveniência e protocolos ignorados por razões de eficiência imediata.
Ernesto Kenji Igarashi observa que a tecnologia só amplia a capacidade de uma cultura de segurança quando essa cultura já está consolidada. Na ausência disso, ela se transforma apenas em um investimento de alto custo com baixo impacto real na proteção.
Como as lideranças moldam a cultura de segurança de uma organização?
A cultura de segurança de qualquer organização é, em grande medida, o reflexo do comportamento da sua liderança. Quando os gestores de alto nível tratam os protocolos de segurança como opcionais ou como inconveniência, essa mensagem contamina toda a organização de cima para baixo. Quando tratam a segurança como prioridade real, demonstrada em comportamento e não apenas em discurso, criam o ambiente em que a cultura pode se desenvolver.

Ernesto Kenji Igarashi compreende que fortalecer a cultura de segurança dentro de uma organização começa sempre pela liderança. Não adianta treinar operadores de base se os gestores que os supervisionam comunicam, implicitamente, que seguir protocolo é menos importante do que entregar resultado rápido.
Isso exige que as organizações invistam tanto no desenvolvimento da liderança quanto no treinamento das equipes operacionais, garantindo alinhamento entre o que se espera e o que se pratica nos dois níveis.
Treinamento como ferramenta de transformação cultural
O treinamento de segurança bem desenhado não serve apenas para transmitir técnica. Serve para construir mentalidade. A diferença entre um treinamento que muda comportamento e um que é esquecido na semana seguinte está na qualidade da experiência de aprendizado e no quanto ela consegue conectar o conteúdo técnico com situações reais que o participante reconhece como possíveis.
Ernesto Kenji Igarashi entende o treinamento como intervenção cultural. Quando os profissionais compreendem, de forma visceral, por que os protocolos existem e o que acontece quando são ignorados, a adesão a esses protocolos deixa de ser questão de disciplina externa e passa a ser questão de convicção interna.
Programas de treinamento que incorporam simulações realistas, análise de casos reais e discussão aberta sobre as falhas mais comuns produzem resultados muito superiores aos treinamentos expositivos tradicionais.
Maturidade cultural e segurança como responsabilidade coletiva
A maturidade da cultura de segurança em uma organização não se revela na quantidade de tecnologia instalada ou na complexidade dos manuais de protocolo, mas em indicadores comportamentais observáveis no dia a dia, como a aderência aos procedimentos sem supervisão direta, a disposição dos colaboradores em reportar vulnerabilidades sem receio de retaliação e a forma como falhas são tratadas, se como aprendizado ou como algo a ser ocultado.
O especialista em segurança institucional e proteção de autoridades, Ernesto Kenji Igarashi, utiliza esse tipo de diagnóstico comportamental como base para qualquer intervenção, já que compreender o funcionamento real da organização é o que permite agir sobre as causas estruturais, e não apenas sobre os sintomas superficiais.
Nesse modelo, a segurança deixa de ser um serviço delegado e passa a ser uma responsabilidade compartilhada, sustentada por comunicação clara de riscos, definição objetiva de papéis e um ambiente em que o reporte de falhas é entendido como parte essencial do fortalecimento do sistema. A proteção efetiva ocorre quando cada indivíduo da organização incorpora esse comportamento como parte da rotina, alinhando prática diária e estrutura de segurança.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
