Taiza Tosatt Eleoterio descreve o sono agitado e os pesadelos como experiências comuns na infância, que nem sempre indicam um problema, mas que podem refletir o que a criança vive e sente durante o dia. Mudanças na rotina, tensões em casa e emoções difíceis de nomear costumam encontrar espaço na hora de dormir, quando a casa silencia e a mente da criança tem mais espaço para elaborar o que viveu.
Compreender essa relação entre o sono e o clima emocional da casa ajuda pais e cuidadores a responder com calma, a oferecer segurança no momento de deitar e a perceber quando vale buscar orientação. Pequenos gestos de acolhimento, repetidos todas as noites, fortalecem o ambiente familiar e a saúde mental infantil.
Pesadelos e sono agitado: o que é comum na infância?
Quase toda criança, em algum momento, acorda assustada, chama os pais no meio da madrugada ou se mexe bastante durante o sono. Esses episódios aparecem em diferentes fases do desenvolvimento e, na maioria das vezes, fazem parte do crescimento. A imaginação fica mais fértil, os medos ganham forma e a noite se torna um espaço em que a criança processa o que viveu.
Taiza Tosatt Eleoterio esclarece que um pesadelo isolado não é motivo de alarme. O que merece atenção é o conjunto: a frequência, a intensidade do medo e a maneira como a criança se recupera depois. Quando o susto passa com um abraço e uma conversa breve, o episódio tende a ser parte do processo natural.
Como o que a criança sentiu durante o dia aparece na hora de dormir?
Durante o dia, a criança acumula experiências: uma bronca na escola, uma mudança de rotina, a chegada de um irmão, uma discussão que escutou sem entender. Muitas dessas vivências não encontram palavras na hora e ficam guardadas. À noite, quando a casa silencia e as distrações diminuem, esses conteúdos podem aparecer em forma de sonhos agitados.
Na psicanálise, os sonhos são entendidos como uma das vias pelas quais a mente elabora emoções. O sonho da criança, como explica Taiza Tosatt Eleoterio, funciona como uma tentativa de dar sentido ao que ainda não foi dito, e por isso escutar o relato da manhã seguinte, sem pressa, pode ajudar. Perguntas simples, como “o que aconteceu no sonho?”, abrem espaço para que a criança fale do que sentiu.
O clima da casa e a sensação de segurança na hora de dormir
A criança dorme melhor quando se sente protegida, e isso depende de muitos fatores, entre eles o clima da casa. Vozes alteradas, discussões frequentes e mudanças bruscas podem deixar o corpo em estado de alerta, mesmo quando a criança parece tranquila. É importante lembrar que esses sinais, sozinhos, não indicam que algo grave acontece, já que o sono também é influenciado por cansaço, alimentação, saúde e rotina.
Segundo Taiza Tosatt Eleoterio, o que ajuda é observar o conjunto e cuidar do ambiente familiar sem se culpar. Pequenos ajustes, como evitar discussões perto da hora de dormir e explicar mudanças com palavras simples, aumentam a previsibilidade e a sensação de segurança. A criança se sente mais tranquila quando sabe o que esperar e confia que há alguém por perto.
Rituais simples para uma noite mais tranquila
Rituais de sono criam uma ponte entre o dia agitado e o descanso. Banho morno, luz mais baixa, uma história curta, uma música suave e uma conversa sobre o que foi bom no dia ajudam a criança a desacelerar. O ideal é que a sequência se repita com regularidade, porque a repetição comunica que a noite é um momento seguro e previsível.
Quando a criança acorda com medo, vale acolher sem exagerar: ficar por perto, falar com voz calma e lembrar que o sonho passou. Não é preciso provar que o monstro não existe, mas reconhecer que o susto foi real, indica Taiza Tosatt Eleoterio. Esse reconhecimento ensina a criança a lidar com o medo, em vez de escondê-lo.
Quando conversar com um profissional
Vale procurar orientação quando os pesadelos são muito frequentes, quando a criança tem dificuldade persistente para dormir, demonstra medo intenso de ir para a cama ou apresenta mudanças durante o dia, como tristeza prolongada, irritação ou isolamento. Pediatras, psicólogos e psicanalistas podem avaliar o contexto e orientar a família sem rotular a criança.
Buscar ajuda não significa que a família falhou. É um gesto de cuidado que oferece um espaço de escuta e fortalece a saúde mental familiar, aliviando a culpa dos adultos e a insegurança da criança.
Como transformar a hora de dormir em um momento de segurança?
De modo geral, o sono agitado e os pesadelos fazem parte da infância e podem ser lidos como um convite à atenção, e não como motivo de alarme. Escutar o relato da criança, cuidar do clima da casa e manter rituais de sono são caminhos simples que oferecem segurança e fortalecem o vínculo.
Taiza Tosatt Eleoterio sinaliza que acolher o medo noturno é uma forma de ensinar à criança que suas emoções têm lugar e que ela não está sozinha. Com paciência e presença, as noites tendem a ficar mais tranquilas, e a casa se torna um espaço onde crescer é possível sem pressa e sem medo de sentir.
